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Reportagem Jornal O Popular sobre a CELG - Nélio Fleury

 

Conheça o artigo publicado no jornal “O Popular” seção “opinião” edição de 16.02.2010


Eu compro a CELG

No ambiente empresarial podemos estabelecer dois tipos de decisões: técnicas e políticas. Chamamos de técnicas as decisões que refletem o objetivo fundamental da empresa, o aprimoramento de seu produto final atendendo as demandas do mercado e da sociedade. As empresas assim gerenciadas são lucrativas, têm responsabilidade socioambiental e respondem às mudanças de hábito dos consumidores.

A gestão empresarial política prioriza ações que agradam à maioria dos acionistas, independente do conhecimento destes. Ao gerar ações e produtos distintos de seus objetivos sociais, o empreendedor aposta no retorno político. A Celg é controlada pelo Poder Executivo do Estado, dono da maioria de suas ações. As decisões de seu conselho diretivo são políticas: agradar ao acionista majoritário que é o governo de Goiás. Entra governo, sai governo, e eventualmente percebemos a Celg agindo na contramão de seus objetivos estatutários.

As decisões técnicas das empresas concessionárias de energia elétrica são norteadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) “para que o mercado de energia elétrica se desenvolva com equilíbrio entre os agentes e em benefício da sociedade”. Para conseguir este equilíbrio são impostas metas, tarifas e custos, independente da realidade específica e da região geográfica abrangida pela empresa. O conselho diretivo das empresas concessionárias é obrigado a cumprir decisões que muitas vezes causam prejuízos. Chega-se ao absurdo: a Aneel congela as tarifas e ainda exige melhorias no sistema. Com que dinheiro?

Para atender aos parâmetros da agência, sob pena de perder a concessão, as concessionárias impedidas de transferir para as tarifas o custo de sua produção vão buscar capital no mercado financeiro com altas taxas. É o começo do fim. Os ativos das empresas são sucateados e inicia-se o processo autofágico.
Resta apenas esperar o fim, ou pior, transferir de vez a empresa para o dono das regras – a agência reguladora ou governo federal.

Este é o negócio: vender o mercado de energia elétrica do Estado de Goiás, concessão da Celg. Possuímos potencial energético muito além de nossa carga instalada. Somos exportadores de energia elétrica, pois estamos no centro do País, estrategicamente instalados. Toda energia elétrica gerada no País de alguma forma passa por Goiás, utilizando do sistema de transmissão. Nosso mercado consumidor está em franca expansão. A Celg está sendo cobiçada e sofre ataques para sucumbir. Querem comprar a Celg... e quem não queria?

Nélio Fleury é engenheiro eletricista, diretor da Associação Brasileira de Engenheiros Eletricistas ( ABEE)






 
 

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